Utilizacao do laser de baixa potencia no tratamento da parestesia pos exodontia de terceiros molares inferiores

A parestesia é a deficiência neurosensorial de maior ocorrência e consiste em sensações desagradáveis, anormais e espontâneas onde não há a total perda de sensibilidade. Podem ser permanentes traduzindo em irritação de nervos periféricos sensitivos. Costumam se traduzir principalmente por “formigamento”. Também são descritas como sensações estranhas. Sendo reconhecidas por qualquer pessoa que já recebeu uma injeção de anestésico local em tratamentos odontológicos. Quando não persistem, as parestesias podem não indicar uma lesão neurológica, mas já quando persistentes, indicam anormalidade das vias sensoriais.

Na odontologia, a parestesia manifesta-se, na maioria das vezes, pelos nervos alveolar inferior, mentoniano e lingual e é decorrente de fatores locais e sistêmicos. Dos fatores locais podemos incluir: fraturas mandibulares, lesões compressivas (neoplasias benignas e malignas e cistos), dentes impactados, infecções locais, lesões iatrogênicas (após tratamento endodôntico, exodontias e bloqueios anestésicos), cirurgias de implantes e de finalidade ortodôntica e as pré-protéticas. Dos fatores sistémicos podemos citar: doenças degenerativas, infecções virais, desordens metabólicas e algumas reações medicamentosas.

Diversos tipos de tratamento têm sido propostos como a administração de medicação sistêmica, fisioterapia local, estimulação elétrica, cirurgia para reparação nervosa, aplicação de laser de baixa potência e outras terapêuticas como homeopatia e acupuntura, sendo que o prognóstico de recuperação varia consideravelmente de acordo com o grau de injúria.

O uso de lasers de baixa potência (LILT – Low Intensity Laser Therapy) tem sido citado na literatura, nas áreas odontológica apresentando efeito biomodulador e indicado nos casos de sintomatologia dolorosa, e reparo tecidual. A irradiação por laser de baixa potência no trajeto da inervação afetada demonstrou ser eficiente quanto à melhora sensorial sendo vantajosa por não ser dolorosa nem traumática promovendo maior conforto ao paciente.

Alguns efeitos da terapia com os lasers de baixa potência em nível celular já estão bem estabelecidos como a estimulação da atividade mitocondrial, estimulação da síntese de DNA e RNA, variação do pH intra e extracelular, aceleração do metabolismo, e aumento da produção protéica e modulação da atividade enzimática.

Quando a célula tem a sua função debilitada esses efeitos são bastante evidentes. Estudos mostram que a terapia com luz laser de baixa potência tem efeitos mais pronunciados sobre órgãos ou tecidos enfraquecidos, ou seja, em estresse.

Os efeitos da irradiação com laser de baixa potência na regeneração nervosa pode acontecer pela ação direta em diferentes componentes celulares e extracelulares assim como uma ação indireta nos tecidos inervados pelas fibras nervosas que estão em reparação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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