Já Anda, Já Fala, Mas Ainda Está Banguelinha

Crescer de 1 a 2 anos

O nenê já completou um ano e nada dos dentinhos nascerem. A cada semana, aumenta a ansiedade da família: E então, nasceu algum?, perguntam todos. E a resposta é sempre a mesma: “ainda não...”
Os pais ficam aflitos com a demora no despontar dos primeiros dentinhos de leite, o que acontece, de modo geral, entre seis e oito meses. Só que isso não é regra. Às Vezes, os primeiros dentes surgem bem mais cedo, quando o bebê tem três ou quatro meses, ou bem mais tarde, por volta de um ano. Em ambas as situações, a causa pode ser hereditário. Ou seja, um padrão familiar determinado pelo histórico da dentição de leite do pai, da mãe, dos avós e tios.

Outras causas. Além da hereditariedade, outros fatores podem contribuir para atrasar o surgimento dos dentinhos. Em bebês prematuros, por exemplo, os primeiros dentes costumam demorar mais a aparecer. Em crianñas hemofílicas, que têm problemas de coagulação sanguínea, também. A primeira dentição pode atrasar, ainda, se houver um desenvolvimento ósseo e hormonal demorado ou falta de estímulo para a mastigação: a criança que permanece muito tempo na fase da comidinha líquida ou pastosa não estimula a gengiva, o eu atrasa e erupção dos dentes.

Cedo ou tarde. Mais freqüente que o retardo do nascimento dos dentes é a sua precocidade. Os dentistas dizem que 20% das crianças têm os primeiros dentes de leite por volta dos quatro meses de idade. Já a dentição tardia é bem mais rara e, mesmo que só aconteça por volta de um ano e meio, não deve ser motivo de preocupação. Até essa idade, só o que os pais e parentes da criança podem fazer é controlar a ansiedade e esperar: um ou outro dentinho deve irromper. Se nenhum apontar na gengiva do bebê após esse prazo, aí sim, será preciso levar a criança a um odontopediatra para uma avaliação.

A vez do dentista. Esse profissional fará, primeiro, um exame clínico e uma apalpação da gengiva para verificar se ela é muito espessa (gengiva hipertrófica), o que pode dificultar a erupção dos dentes. Se o caso for esse, a solução é simples: basta fazer uma incisão no local para permitir que o dente saia.

Mas pode acontecer também de o diagnóstico ser mais complicado – uma anadontia - , caso em que os dentes simplesmente não se formam e que só é detectada por radiografia. Mas isso é um problema raríssimo: apenas uma em cada 4 milhões de pessoas sofre desse mal.

Muito mais comum é nascer a maioria dos dentes da primeira dentição e ficar faltando um ou dois. Se isso afetar a mastigação ou a fala, é recomendável o uso de uma prótese. Caso contrário, o odontopediatra pode optar por não interferir. Até porque a falta do dente de leite, não significa que não nascerá mais tarde, o dente definitivo.

Outra hipótese possível é a radiografia revelar que existe um dente a mais para nascer, o que compromete o espaço na arcada e resulta em dentinhos de leite sobrepostos uns aos outros. Mesmo nesse caso pode não haver necessidade de interferir, já que o mau alinhamento também não compromete a dentição permanente.

Por fim há os casos raros, e sem explicação, em que o bebê já nasce com um dente – o chamado “dentinho de bruxa”. Como ele não tem boa fixação e pode cair, é recomendável que seja retirado para não ser, eventualmente engolido.

Cálcio extra. Como os dentes de leite são formados ainda no período embrionário, muitas gestantes se perguntam se é necessário reforçar a alimentação com algum suplemento de cálcio, com o objetivo de garantir dentes e ossos saudáveis para o bebê. Além de dispensável – na maioria dos casos uma dieta equilibrada é suficiente para a mamãe e seu filhote, a suplementação de cálcio não impede eventuais atrasos no aparecimento da primeira dentição.

É bastante comum nascer a maioria dos dentes da primeira dentição e ficar faltando um ou dois. Caso isso afete a mastigação ou a fala, será necessário implantar uma prótese.

Sem problemas. O que de pior pode acontecer por causa do atraso da primeira dentição são retardos na fala ou dificuldade temporária na pronúncia das palavras. Mas assim que os dentinhos surgem, a criança recupera o tempo perdido e logo aprende a emitir corretamente os sons.
De qualquer forma, os pais podem ajudar a evitar problemas de fala e deglutição no bebê – e até o uso futuro de aparelhos ortodônticos – com procedimentos simples, recomendados pelos especialistas. O primeiro deles é suspender a mamadeira o mais cedo possível de, preferência por volta dos dois anos de idade, para que a criança trabalhe adequadamente a mastigação – o que favorece postura da língua e a emissão de sons.

Enquanto a mamadeira for absolutamente necessária, é importante colocar o bebê ligeiramente sentado na hora de usá-la, porque essa posição favorece o posicionamento correto da língua. Convém ainda lembrar de oferecer a mamadeira alternadamente, dos dois lados do colo, para que a criança desenvolva por igual os músculos da face. Isso evita a chamada “mordida cruzada” problema que só se corrige com aparelho ortodôntico.

Fontes: Mauro Toporovski, professor assistente do Departamento da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; Adriana Bistulfi, odontopediatra, membro da Academia Americana de Odontopediatria.